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terça-feira, 3 de novembro de 2009

PARA RIR DO DIA

Portugal, 12 de Agosto de 2009.

Querido filho Manoel Joaquim,
Escrevo-te estas linhas para que saiba que a mãe está viva.

Vou escrever bem devagar, pois sei que não consegues ler depressa.
Caso estejas sem tempo de escrever à mãe,
manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranquilo vais mandar notícias.
Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos.
Sua irmã está grávida, mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina,
portando não podemos dizer-te se vais ser tio ou tia.
Seu pai arranjou um emprego melhor, com 2300 homens abaixo dele.
É o responsável pelo corte da grama do cemitério da cidade.Quem anda sumido é o seu tio João que morreu no ano passado.
Lembra-te do teu tio Vasco, afogou-se no mês passado em um depósito de vinho.
Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles.
Seu corpo foi cremado há duas semanas e levaram oito dias para apagar o incêndio.
As fábricas de refrigerante finalmente tiveram a grande idéia de colocar na tampinha “Abra aqui”.
Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja com alguma dificuldade a mãe envia-te algumas garrafas,
pois abrir aqui está bem mais fácil.

Teu irmão Olavo continua o mesmo de sempre.
Semana passada trancou o carro com as chaves dentro.
Perdeu um tempão indo até a casa apanhar a cópia para tirar-nos de dentro do carro.
Estava um calor infernal.
Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho.
Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante três dias e na segunda durante quatro dias.
Esta carta te mando através do Gabriel que vai amanhã para aí.
Aliás, podes pegá-lo no aeroporto, pois ele não conhece nada daí.

Lembrei de uma coisa importante. Terás dificuldade em falar com a mãe caso decidas escrever-me,
pois não sei o novo endereço, já que os antigos moradores levaram a placa da
rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço, o que achei bastante astuto.
Se encontrares Teresa dê um olá de minha parte,
se não encontrá-la não precisas dizer nada.

Adeus de tua mãe que te ama,Fátima Manoela da Alcova.

PS.: ia mandar-te 2.000 Euros, mas fica pra outra vez porque já fechei o envelope.

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